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Modo história

O Ciclope

Odilon Redon · c. 1914 · Óleo sobre cartão montado em painel · 65.8 × 52.7 cm · Museu Kröller-Müller

Um gigante observa uma ninfa adormecida além de uma crista florida. Redon transforma a diferença de escala e o amor não correspondido num encontro de sonho.

O Ciclope, de Odilon Redon: atrás de uma crista rochosa coberta de flores, um gigante com um único olho enorme ergue-se contra um céu pálido e olha para baixo, para a ninfa Galateia, que dorme nua numa encosta de cores vivas e oníricas.
O Ciclope, Odilon Redon, c. 1914. Wikimedia Commons · Odilon Redon · O Ciclope · c. 1914 · Kröller-Müller Museum (KM 103.098) · Domínio público
  1. Um gigante espreita por cima de uma montanha. Está apaixonado.
  2. Um olho enorme. Para Redon, era muitas vezes a alma.
  3. É Galateia, uma ninfa do mar, a dormir. Ela ama outro.
  4. Cores doces por todo o lado. O museu diz que o tornam mais ameaçador.
  5. Ele é enorme. Ela é minúscula. Uma montanha inteira entre os dois.
  6. Em Ovídio, esmaga sob uma rocha o homem que ela ama. Redon pinta só o olhar.

O Ciclope é uma pintura de Odilon Redon de cerca de 1914 em que Polifemo, o gigante de um só olho, observa, de trás de uma montanha, a ninfa marinha Galateia adormecida; pertence ao Museu Kröller-Müller, em Otterlo, nos Países Baixos.

O que mostra O Ciclope de Redon?

Um olho gigantesco surge acima da crista, enquanto uma pequena figura dorme entre as flores em baixo. Redon coloca o ciclope Polifemo e a ninfa marinha Galateia numa paisagem que parece pertencer a um sonho. A diferença de escala entre ambos é imediatamente inquietante.

O olho chama a atenção antes do corpo parcialmente escondido do gigante. O seu centro escuro destaca-se contra o rosto de tons quentes e o céu pálido. A cabeça arredondada pode parecer meiga, mas o olhar fixo também pode ser intrusivo. A imagem permite ambas as reações.

Por que é tão grande o olho do Ciclope?

Galateia dorme, sem saber que alguém a observa do alto. O corpo pálido está rodeado por manchas densas de cor. O contraste entre o repouso dela e a atenção dele cria tensão sem qualquer confronto visível.

A cor conta grande parte da história. Flores, verdes, amarelos e formas enevoadas fundem-se num terreno imaginário. Em vez de descrever um lugar reconhecível, a paisagem deixa que a cor e a textura transmitam o ambiente do encontro.

O Museu Kröller-Müller chama ao olho, de um tamanho antinatural, a parte mais evidente da pintura, e explica que na obra de Redon o olho é muitas vezes símbolo da alma humana e do misterioso e desconhecido mundo interior. Assim, o olho pode estar a fazer duas coisas ao mesmo tempo: espiar Galateia e abrir uma janela para o próprio mundo interior do gigante. O museu acrescenta que as invulgares cores vivas intensificam a ameaça do gigante, ou melhor, do olho. A doçura das flores não anula o perigo. Torna-o mais agudo. (Museu Kröller-Müller)

Como compôs Redon O Ciclope?

A diferença de escala mantém as duas figuras afastadas. Polifemo ergue-se atrás da crista; Galateia ocupa um pequeno espaço abrigado em baixo. A montanha esconde o gigante e cria uma barreira entre ele e a figura adormecida.

No mito, o amor de Polifemo por Galateia não é correspondido: ela ama Ácis. Redon deixa essa história mais ampla fora do quadro. Concentra-se no ato de observar, transformando um episódio mitológico num encontro cujo desfecho permanece invisível.

O que acontece a seguir no mito?

Como simbolista, Redon usava a fantasia e a sugestão para explorar a experiência interior. Aqui, o olho desmedido pode tornar-se mais do que um elemento anatómico: dá ao olhar uma presença quase autónoma. A paisagem brilhante torna a estranha cena tão atraente como inquietante.

Redon interrompe a história antes de ela se tornar violenta. Nas Metamorfoses de Ovídio, é a própria Galateia quem conta o que aconteceu a seguir. Polifemo, a cantar numa colina, avista-a com Ácis, arranca um enorme pedaço da montanha e arremessa-o; a rocha soterra o jovem. O sangue escorre de debaixo da pedra, e Galateia, fazendo a única coisa que as Parcas permitem, transforma Ácis num rio que guarda o seu nome. Redon não pintou nada disto, apenas o olhar. Realizado por volta de 1914, cerca de dois anos antes da sua morte, em 1916, o quadro é considerado pelo Museu Kröller-Müller uma das obras-primas da arte simbolista. (Perseus Digital Library (Ovid, Metamorphoses 13))

Polifemo continua meio escondido atrás da crista enquanto Galateia dorme em baixo. A distância entre ambos deixa-nos pensar na atenção dele, no desconhecimento dela e na beleza da paisagem. Nenhum gesto final resolve essas impressões concorrentes.

Os detalhes num relance

  1. Um gigante espreita por cima de uma montanha. Está apaixonado.
  2. Um olho enorme. Para Redon, era muitas vezes a alma.
  3. É Galateia, uma ninfa do mar, a dormir. Ela ama outro.
  4. Cores doces por todo o lado. O museu diz que o tornam mais ameaçador.
  5. Ele é enorme. Ela é minúscula. Uma montanha inteira entre os dois.
  6. Em Ovídio, esmaga sob uma rocha o homem que ela ama. Redon pinta só o olhar.

Fontes e leituras complementares

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